Por Márcio Caseiro.
Reprodução.
"Louca humanidade". Assim dizia o teólogo e filósofo Erasmo de Rotterdam em sua mais célebre obra 'Elogio da Loucura', onde põe a loucura em pessoa - em forma humana de mulher- a discursar.
A narrativa é tão envolvente quanto a presença insana da loucura, a qual, por si só, já atrai a atenção de todos os expectadores, que se poem a direcionar os ouvidos aguçados por ouvir o que a tal personalidade tem a dizer.
O poder de domínio que a loucura exerce sobre a plateia é tal que todos ficam admirados ao que verdades são reveladas pela figura, quais sejam: a de que a humanidade só é feliz por gozar dos favores da loucura e de que somos todos tão insanos quanto a própria palestrante da noite. É que o ser humano, sempre orgulhoso por sua maior atribuição e qualidade, a racionalidade, é totalmente irracional no que diz respeito à certas atitudes de grande relevância em sua vida. Todos somos loucos, desde o mais novo recém nascido ao mais ancião dos anciãos deste mundo, de forma que, através de exemplos que a loucura começa a enumerar, convence toda a plateia, que sai devota da grande deusa, como se auto entitula.
Apesar de a loucura ser uma condição humana, dizia ela que as mulheres são as mais loucas de todas pelo fato de que, mesmo elas possuindo o dom natural da beleza, renunciacem-na e optassem por manter uma família ao lado dos homens - seres de pêlos no rosto. Há, ainda, as que abrem mão da liberdade para ter filhos que, sabem elas, lhes darão trabalho por, no mínimo, quinze anos, fazendo-as dispor de seu tempo particular para dedicarem-se às suas proles. Mesmo assim, agem neste sentido por falta de juízo e excesso de loucura.
Pobre raça é a dos sábios, que desprezam a alegre loucura e se põe a pensar pelos cantos, sempre carrancudos julgando a inútil alegria dos outros uma eterna perda de tempo, por não conhecer os bons momentos e alegrias que a loucura tem a oferecer. Porém, mesmo o mais fervoroso dos sábios não consegue expurgar totalmente de si a loucura. Os resquícios restantes são demonstrados quando, ao apresentarem o trabalho de uma vida, debruçado sobre o qual finalmente se chegou ao término, dizem tê-lo escrito em uma semana no máximo. Desse tamanho é a hipocrisia humana, duramente criticada pela loucura, que, não obstante isso, mesmo após uma grande decepção acolhe os seus filhos como uma mãe.
Não podemos negar, da mesma forma, que exercem extremo fascínio sobre nós as crianças, que necessitam de cuidados especiais por serem frágeis e débeis, porém, sua maior característica é a loucura. De nada sabem e agem impulsionadas pelo instinto. Assim também são as pessoas de idade avançada que vão se assemelhando, cada vez mais, às crianças. E assim procede a loucura, apontando suas intervenções no dia a dia das pessoas, dizendo que é a única que pode tornar a convivência possível e suportável.
Sendo a loucura capaz de alegrar e viabilizar uma vida feliz, agradando aos humanos e aos deuses, sejamos loucos e felizes! Quem não tem juízo não percebe o tédio da vida.
A narrativa é tão envolvente quanto a presença insana da loucura, a qual, por si só, já atrai a atenção de todos os expectadores, que se poem a direcionar os ouvidos aguçados por ouvir o que a tal personalidade tem a dizer.
O poder de domínio que a loucura exerce sobre a plateia é tal que todos ficam admirados ao que verdades são reveladas pela figura, quais sejam: a de que a humanidade só é feliz por gozar dos favores da loucura e de que somos todos tão insanos quanto a própria palestrante da noite. É que o ser humano, sempre orgulhoso por sua maior atribuição e qualidade, a racionalidade, é totalmente irracional no que diz respeito à certas atitudes de grande relevância em sua vida. Todos somos loucos, desde o mais novo recém nascido ao mais ancião dos anciãos deste mundo, de forma que, através de exemplos que a loucura começa a enumerar, convence toda a plateia, que sai devota da grande deusa, como se auto entitula.
Apesar de a loucura ser uma condição humana, dizia ela que as mulheres são as mais loucas de todas pelo fato de que, mesmo elas possuindo o dom natural da beleza, renunciacem-na e optassem por manter uma família ao lado dos homens - seres de pêlos no rosto. Há, ainda, as que abrem mão da liberdade para ter filhos que, sabem elas, lhes darão trabalho por, no mínimo, quinze anos, fazendo-as dispor de seu tempo particular para dedicarem-se às suas proles. Mesmo assim, agem neste sentido por falta de juízo e excesso de loucura.
Pobre raça é a dos sábios, que desprezam a alegre loucura e se põe a pensar pelos cantos, sempre carrancudos julgando a inútil alegria dos outros uma eterna perda de tempo, por não conhecer os bons momentos e alegrias que a loucura tem a oferecer. Porém, mesmo o mais fervoroso dos sábios não consegue expurgar totalmente de si a loucura. Os resquícios restantes são demonstrados quando, ao apresentarem o trabalho de uma vida, debruçado sobre o qual finalmente se chegou ao término, dizem tê-lo escrito em uma semana no máximo. Desse tamanho é a hipocrisia humana, duramente criticada pela loucura, que, não obstante isso, mesmo após uma grande decepção acolhe os seus filhos como uma mãe.
Não podemos negar, da mesma forma, que exercem extremo fascínio sobre nós as crianças, que necessitam de cuidados especiais por serem frágeis e débeis, porém, sua maior característica é a loucura. De nada sabem e agem impulsionadas pelo instinto. Assim também são as pessoas de idade avançada que vão se assemelhando, cada vez mais, às crianças. E assim procede a loucura, apontando suas intervenções no dia a dia das pessoas, dizendo que é a única que pode tornar a convivência possível e suportável.
Sendo a loucura capaz de alegrar e viabilizar uma vida feliz, agradando aos humanos e aos deuses, sejamos loucos e felizes! Quem não tem juízo não percebe o tédio da vida.





